Os escritos surrados

(...) eu escrevo poesias. 
Eu aprendi a  escrever  quando era jovem. 
Dramaticamente  jovem. Intensamente jovem.  
Eu escrevia  no papel.
 Colocava em  um envelope cheiroso. 
Doces, adoráveis, românticos . 
Nem sempre sabia o que  escrever e no entanto,  tentava, e tentava, e mais tentava.
Alguns fracassos, é certo,  mas nunca houve uma desistência. 
Escrevia aquelas  palavras que tinha  tanto de mim que, quando  terminava, percebia que depois nunca mais seria a mesma pessoa. 
 Acontecia uma identificação tão grande que as palavras mexiam em algo tão pessoal que, se eu abrir a boca para falar sobre eles, estarei falando sobre... e para ... você!

Os escritos surrados , meus velhos companheiros...

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