Special Guest 2 , Ana Paula Amaral

Ana Paula Amaral - lado de fora do coração

Acabou o sal

Dei para sentir uma alegria festiva e silenciosa a cada vez que acaba o sal aqui em casa!

Eu estava adentrando na vida adulta quando ouvi pela primeira vez, dentro de um contexto, de um drama familiar, o ditado:
" Para se conhecer uma pessoa é preciso comer um saco de sal juntos".

Conversei e ouvi atentamente o senhor que estava indignado com a atitude de seu filho que anunciara a separação. 
O casamento não havia completado seu primeiro ano e daí a indignação do pai e o seu discorrer sobre o saco de sal, que na verdade, é uma saca de sal de 60kg.
 O que, claro, leva muito tempo para ser consumido.

Eu, talvez por desconhecer até aquele momento o significado da frase, acabei por adaptá-la para mim mesma!

Conviver é a palavra que bem descreve os pequenos saquinhos de sal que vamos comprando a dois, para uma família grande ou pequena.
E assim, a cada pitada, vamos temperando a convivência, o cotidiano que passa por fases tão felizes, dias difíceis, outros corriqueiros, até mesmo insossos.

Conviver é mesmo uma arte como a do bem temperar. 
Por vezes erramos a mão, o equilíbrio se desfaz, mas é possível retomá-lo se todos estiverem dispostos a contribuir com sua pitadinha.

Dia desses, um vizinho bateu à nossa porta. Acabara de se mudar e não tinha sal.

Preenchemos uma pequena xícara de café e lhe entregamos. Abriu um sorriso o moço que ainda não divide seu saquinho de sal, mas ofereceu-nos a pipoca que fez.

E será que tem alguém que já salgou feijão?!

Ana Paula Amaral
Clicaki http://ladodeforadocoracao.blogspot.com.br


Obrigado,
ℱelisberto N. Junior

Comentários

  1. Que lindo texto, como todos que a Ana com seu jeitinho peculiar escreve e nos encanta...A vida é feita dessas pitadinhas... Por vezes podemos salgar demais, outras vezes, o sal deve ser quase eliminado... ADOREI! abração aos dois, tudo de bom,chica

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  2. Adorei o texto da Ana, hj em dia já está raro vizinho pedir qualquer coisa mas ainda acontece.
    Conhecemos as pessoas nas dificuldades nem todas tem maturidade para enfrentar grandes problemas.

    bjokas =)

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  3. Que legal Felis, é maravilhoso poder abrir o seu espaço para conhecermos as histórias lindas de tanta gente!
    Gostei muito do estilo bem humorado da Ana de escrever, muito parecido com o seu!
    Aliás, achei a ideia dela genial e o saco de sal identificou bem as alegrias e as tristezas que as pessoas tem que enfrentar juntos no dia a dia!
    Adorei passar por aqui!
    Vim desejar uma linda e Feliz Páscoa a você e toda a família!
    Beijos! :))))

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  4. Além de muito lindo, o texto é bem interessante, trazendo uma ótima filosofia de vida.
    Conviver é mesmo uma arte. Nem sempre acertamos no tempero da convivência, mas sempre poderemos ajustar a sua dosagem. Quando há vontade, há disposição para se chegar ao equilíbrio. Ajustando a dosagem do sal teremos a oportunidade de tornar as relações mais saborosas, principalmente aquelas entre casais, mais difíceis de serem ajustadas ao longo do tempo.

    Parabéns à Ana Paula pelo ótimo texto.

    Beijos aos dois.

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  5. Lindo texto de Ana Paula!
    E nestas épocas tão estranhas, é difícil dosar o sal nas redes sociais e nas ruas... conviver não é fácil não.
    Mas, mesmo para ofeijão salgado, existe uma solução prática e eficaz: cozinhar uma batata grande dentro dele. Funciona.
    Abraços, Felisberto!

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  6. Boa noite Felisberto.
    Gostei da forma que ela escreve. O texto é bem legal, a convivência é algo que só o tempo, e saber temperar na medida certa, pode ser algo gratificante. Ajustando a dosagem diante dos sabores, teremos a oportunidade de tornar tudo mais saboroso. Uma feliz quinta- feira para vocês. Abraços.

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  7. Felis, só tenho a agradecer a tua iniciativa.
    Agradeço também aos teus leitores que por aqui passaram. Depois volto para ler outros. Gosto muito dessa interação!
    beijo

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  8. Seguindo o rastro literário da Ana, cheguei a este espaço interativo, onde os convidados tem voz e vez! Que bela iniciativa!
    Como lhe é peculiar, Ana temperou minha noite com seu texto inteligente e ao mesmo tempo divertido, pois fiquei pensando quantas sacas de sal marido e eu já comemos juntos nestes anos de casamento e 4 filhos rsrs Certamente é muito bom temperar a vida assim, acompanhada, e não sozinha e reclusa. Caminhamos em busca do equilíbrio, nem salgada e nem insossa deve ser a vida.
    Um abraço ao dono do espaço e a querida escritora Ana Paula.

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  9. Desde a adolescência ouço essa colocação sobre o sal rssss. O texto é bem humorado e aborda o cotidiano da convivência, nem sempre fácil. Se um dia existe sal demais, no outro se economiza no tempero. Mas para isso, ambos devem colaborar. Parabéns à Ana Paula pela agradável leitura que me proporcionou. Bjs.

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  10. Lindo e reflexivo o texto da Ana, que amo ler, uma poesia sempre viva, uma reflexão que nos leva sempre a se espelhar. Conviver é mesmo bem difícil e uma arte se vence quando de verdade se sabe amar, impondo limites,a prendendo a respeitar. amei a iniciativa e também convido a conhecer o Poesia , abraços e parabéns aos dois

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  11. Extraordinário texto.
    Aproveito para desejar uma Páscoa muito Feliz.
    Um abraço
    Maria

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  12. Um deleite ler uma crônica sua _ do cotidiano , das coisinhas banais que nem sempre tiramos tanto proveito_ comer sal juntos é especialmente lúdico! bem mais que saborear chocolates_ porque ensina fortalece aproxima com verdade.
    Lindo Ana
    Feliz Páscoa!

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  13. Boa noite, amigo Felis!
    Boa garimpada vc fez!
    Neste tempo onde notícias tão insossas nos molestam... é bom meditar sobre o tom ideal do sal nas coisas e na vida...
    Oxalá o tempero do amor nos edifique e nos acalme!
    Bjm muito fraterno aos dois

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  14. Tão doce!

    Ou seria agridoce sua participação e reflexões que traz
    Como sal, nem muito6 nem pouco é receita que6 sorebdu2 para as lidas da vida
    Aneu2

    E quanto a salgar feijão
    Sim
    Batata dentro pra ferver e desalgar
    Farinha tb ajuda

    Quer farinha?
    Tem da boa aqui
    E se n for abuso, vc me dá qd vierem de lá, um milho daqueles de Minas comadre?

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