Menino franzino

Eu era um menino franzino, com os cabelos escorridos e algumas espinhas no rosto.

Estava sentado à beira da janela, com aquele olhar fixo em tudo que se passava do outro lado da rua, quando deparei-me com a menina mais linda do mundo. 
Era você tomando um sorvete de morango.
Me encantou o seu jeito de mexer em seus cabelos e o sorriso muito tímido. 

É claro que aquela admiração rápida demais 
me pareceu só empolgação, mas o tempo passou e quis o destino que estudássemos na mesma escola e tivéssemos os mesmos amigos. 

Porém, nunca tivemos tempo para conversar, você sempre ficava de um lado, eu do outro e os amigos no meio. 
Assim nunca soube o que você pensava sobre mim. 

O tempo foi mais que passando e comecei a mudar. 
Fisicamente e emocionalmente.
Você também. 
E eu comecei a te ver de forma diferente. 
Tudo ficou muito forte. 
O que parecia suave e delicado, foram tomando formas no meu coração.
Quando chegava perto de você, ouvia o meu coração querendo pular para fora de mim.

E isso me fez tomar uma decisão.
Eu tinha que te contar sobre tudo isso para você.
Quem sabe assim, eu não fico desencantado de uma vez. 

É, eu nunca soube o que você sentiu.
Nunca cheguei perto do teu coração.
Nunca tive coragem de falar com você. 
Tentei te dizer no meu silêncio que era com você que eu sempre quis estar. 

Vim escrever e estou usando a minha última folha  em branco. 
Mas o que eu queria mesmo era me encontrar com você. 
Te ver mexendo em seus cabelos negros como de uma deusa e com seu sorriso lindo mostrando dentes brancos como uma neve dizer que se lembrou e sentiu saudade de mim.

Aquele menino franzino , com os cabelos escorridos e algumas espinhas no rosto.
[ Repaginada,  ficção, qualquer semelhança com fatos ou pessoas é uma mera coincidência... ou não!]


Obrigado,

Comentários

  1. Que texto cheio de ternura e de amor! Adorei.
    Hoje, por cá, é feriado.
    Um belo dia para o Felis.

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  2. Uma vivência e uma lembrança peculiar a todos nós. Quem nunca vivenciou algo semelhante não é mesmo? Lindo.

    Beijo grande meu caro amigo

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  3. Ainda bem que a gente muda!!


    bjokas =)

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  4. Aquele menino franzino deixou o tempo passar e por pura timidez continua hoje, guardando em seu coração, a doce esperança de um dia encontrá-la.

    Tenha um belo mês de dezembro

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  5. Oi my idolo Felis,que lindooo,uma história que poderia ser de todos nós e com seu dom de escrever ficou maravilhosa. A timidez,muitas vezes afasta um amor,o qual podem se reencontrar em outro momento e se era franzino ou não, não sei só sei que continua lindo hahaha beijinho xauzinho

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  6. Diga ao menino franzino que perigoso é viver feliz!Sem resposta .Felisberto, acha logo essa menina por favor!!! Aí escreve outro post sobre como rolou as cenas dos próximos capítulos!!! O não você já tem!!!
    Ótimo fds pra vc!
    http://vivendolaforanoseua.blogspot.com/

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  7. Olá kirido,

    Penso que a maioria de nós já deixou passar a oportunidade de construir um amor por timidez ou receio de não ser aceito(a). E assim, ficam as lembranças, os sonhos, a sensação de perda e a ínfima esperança de um reencontro.
    No caso, a vida deu um empurrãozinho, colocando os dois juntos na mesma escola, mas, ainda assim, a timidez falou mais alto. Coisas da vida e muito comum de acontecer quando ainda se tem espinhas no rosto-rsrs.
    Muito lindo.

    Ótimo final de semana!

    Beijo.

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  8. Uma doçura de texto.
    Adoro a sua imaginação.
    Beijo

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  9. São incontáveis as histórias de adolescentes que viveram amores frustrados. Entre outras razões, a inabilidade em abordar uma garota, ou mesmo a falta de coragem por se sentirem tímidos ou complexados, numa época em que as espinhas, a frazinice ou a obesidade determinavam o comportamento.
    Desta forma, muitas dores de amor se arrastaram vida afora, algumas com um happy end anos depois, quando um (re)encontro possibilitava confissões tardias e a criação de alguma história bonita que finalmente podia ser vivida.
    Exemplo de um casal amigo que hoje recorda o desencontro do passado vivendo uma bela história de amor já acrescida com a história de dois filhos.
    Mas nem sempre tudo termina assim, e vão se formando histórias em que “aquele menino franzino, com os cabelos escorridos e algumas espinhas no rosto” deixou de encontrar a felicidade porque só no seu silêncio soube dizer “era com você que eu sempre quis estar”.
    Mas posso te dizer, meu amigo, que “além da linha tênue, onde confluem o sonho e a realidade” nada existe, apenas o teu querer e a ilusão do amor...

    Não há como dar aquilo que talvez te servisse de consolo, e que seria um colo, um abraço e um beijo, para que tu ficasses “desencantado de uma vez”, mas eu te convido para tomar “uma xícara de café quente”... Por favor!
    Felis, meu querido, tu sabes como gosto de “passear” nas tuas postagens e de (re)criar as situações. Já me eximi contigo destas “intrusões”, e bem sabes que é a minha forma de dizer o quanto admiro a tua escrita, teus textos poéticos, tua fértil imaginação. O quanto te admiro e gosto de ti!
    Por isso, tomei novamente a liberdade de juntar partes de três postagens tuas para criar o meu comentário. Espero que o receba com o mesmo carinho com que o fiz.
    Um beijo no teu coração e o desejo de horas mágicas a enfeitar os teus dias.
    Leninha

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  10. Linda memória, lembrança que todos nós com certeza guardamos da adolescência , um tempo de tantas dúvidas e incertezas, e que a gente se sente feio, com espinhas, hoje eu só queria poder voltar no tempo hehehe; lindo teu texto poeta. Tem novidade no blog, creio vais gostar. Bom fim de semana

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  11. Que texto tocante e delicado, Felis. Até me emocionei lendo. Muito bom. Abçs e bom fim de semana.

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  12. Olá, Felis! A timidez é mesmo danado, e pode causar um vácuo que vai se tornando grande demais se não for vencido.
    Quando eu trabalhava no CVV recebia muitas histórias assim, como voluntária ouvinte eu não podia opinar, mas sempre ficava torcendo para que a pessoa vencesse a timidez e falasse, porque mesmo que não fosse correspondido, pelo menos não ficaria com a sensação derrotista de nunca ter tentado.
    Por que temos a tendência ao medo de falar sobre o que sentimos para quem importa? Pelo medo da rejeição, decepção, incompreensão... uma pena.
    Abraços!

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  13. Bom dia Felisberto., Lindo texto este seu engraçado eu vivi quase tudo isso que você escreveu eu e uma menina estududamos juntos na mesma escola e estavamos no 4 ano do ensino fundamental.
    Foi em um tempo notável de nossas vidas eramos eu um menino bem apanhado e ela uma linda e notável garota .eu e ela sentavamos próximos eu na primeira fileira da esquerta para a direita e ela na terceira fileira também da esquerda para a direito ambos na frente , pouco nos falavamos oralmente tinhamos o costume de nos falar por olhares a gente tinha algo tão bonito pois nos comunicavamos só nos olhando.
    havia um certo ciúme de três outros garotos que também gostavam dela e um dia na hora do recreio os três outros garotos em minha direção para tentarem me intimidar , eu me lembro naquele tempo eu era um garoto alto para a minha idade eu era Escoteiro do Ar e sábia fazer alguns truques e alguns golpes de judô , mais eu era muito menino então os três outros meninos vieram tentar me por medo me empurraram eu cai no chão as meninas e outros meninos ficaram todos me olhando assustados , eu me levantei e disse que não queria brigar com ninguém eles continuaram a me intimidar pegaram o meu lanche e jogaram no lixo e daí os três começaram a tirar gozação da minha cara , daí eu resolvi agir, peguei a tampa redonda da lata de lixo que era de metal e aguardei os três se aproximarem quando chegaram pertinho de mim eu agi.
    Peguei a lateral da tampa de metal e bati segurando a tampa com as duas mãos e bati na mureta da classe de aula fez muito barulho chegou a amassar a borda da tampa, os três meninos se assustaram neste momento eu chamei os três para me enfrentar , os três desistiram. ai eu arrumei a tampa como estava anteriormente e coloquei na lixeira.
    sei te dizer que eu e a Vera Sheiffer sempre nos amamos porem nunca nos falamos .
    Ao final do ano letivo passamos de ano , a Vera pela primeira vez me procurou no pátio da escola ela me disse assim , William eu vou embora do Brasil os meus pais vão para caracas e eu vou estudar lá , ela me deu um envelope pequeno contendo uma carta , e me disse "EU TE AMO E VOU TE AMAR PARA SEMPRE" me deu um beijo carinhoso na faze esquerda e foi embora.
    Eu fiquei estático igual a um bobo sem saber como reagir , mais ao mesmo tempo o meu coração só faltou sair pela boa.
    Felisberto o Seu texto é repleto de ternura e carinho de quem viveu o que você escreveu.
    Parabéns pelo seu lindo blogsite. espero que visite quando puder. Por favor desculpe-me se eu escrevi demais !!
    Que você tenha uma ótima e abençoada quinta feira bom dia e muito obrigado !!
    William

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